Sociologia Musical

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Atualmente estamos passando por uma situação sociológica no nosso país em que podemos usar a música como referência analítica. Em especial o Rockpop brasileiro dos anos 90 e o atual Funk.

É de fácil percepção que a mudança do gosto musical mainstream do brasileiro (isso aplica-se a todas as classes sociais), mudou dos anos 90 até os dias atuais. Mesmo possuindo elementos na evolução do artista que pode não agradar a algum fã, é inegável a queda na qualidade de gosto musical do mainstream.

Nos anos 90 se via pessoas (em especial jovens e adolescentes) de baixa renda escutando, de forma mainstream, bandas como Biquíni Cavadão, Skank, Jota Quest, Engenheiros do Hawaii, Cidade Negra, além dos sempre populares sambas e pagodes, claro. Na época, nós que gostávamos e/ou ainda gostamos das bandas internacionais geralmente não gostavam, ou ainda não gostam, dessas bandas nacionais mencionadas.

Porém, ao escutar músicas dessas respectivas bandas atualmente, se percebe como a composição intelectual, que não era de altíssimo nível por ser mainstream, tinha sua qualidade. Eram letras e canções com elementos reflexivos não complexos, nada muito técnico, mas seguindo uma análise poética ou um relato de um fato do cotidiano de qualquer pessoa. Simples. De fácil percepção coletiva.

Como exemplo, cito a música Janaína do Biquíni Cavadão, em que conta a história de uma moça melancólica e esperançosa, mesmo desgastada com o seu cotidiano e os fatores de sua vida. Fatores que integra a vida de qualquer pessoa, sendo fácil a identificação da mensagem central que a música está passando, sem complexidade intelectual. Antes achava essa música “legalzinha”, hoje já gosto bastante dela. E o mainstream nacional na minha adolescência gostava de músicas como estas. Era comum.

Outro exemplo é a música Garota Nacional do Skank, em que a história é uma reflexão de um sujeito envolvido sentimentalmente, atraído por uma mulher que ele tem uma “aversão”. Só que a música consegue passar esse enredo de forma mais simples do que eu expus.

Me lembro que os meus colegas de classe na época e alunos de outras classes da sexta série de um colégio PÚBLICO cantavam Garota Nacional no ônibus indo para uma excursão. A maioria dos alunos desse colégio eram moradores da favela do Paraisópolis em São Paulo.

Hoje não vemos mais essa situação. É inexistente. Vemos a pobreza de composições e reflexões nas músicas, com exploração ao máximo da sexualidade, do materialismo e a sua veneração (ostentação), o que, em reflexo prático, resulta nos problemas sociais contemporâneos do Brasil, como mães adolescentes; sexualidade precoce link externo; e outras séries de consequências sociais resultantes dessa equação sociológica.

A autoestima, propositalmente, foi dada e não conquistada, dessa forma, só se perpetua (propositalmente) a ignorância, praticada inconscientemente pelas pessoas (vide como exemplo detalhes coloridos de aparelhos dentários como moda do chamado “funk ostentação”, resultando em problemas dentários irreversíveis). Alguém está ganhando com o empobrecimento cultural, com a ignorância das pessoas. E um dos meios para praticar essa concepção da perpetuação da ignorância, é pela música. Em que se valoriza qualquer coisa; classifica-se qualquer criação vulgar, inculta e atécnica como cultura, assim se perpetuando tais tipos artísticos.

Esta é a atual situação do nosso país e nós sabemos que posição política está ganhando com isso.

Confira o clipe de Janaína do Biquíni Cavadão:

Garota Nacional do Skank:

 

Imagem: Divulgação/Internet

Eduardo Salles

Jornalista; idealizador, co-fundador, administrador e editor do Portal Mosaico; colunista do site musical Rock Noize (Coluna S&S); colunista do site esportivo Vida de atleta; Advogado; Membro efetivo da comissão de Direitos Autorais da Ordem dos Advogados do Brasil secção São Paulo; Professor de Filosofia e de Sociologia. Amante do estudo do comportamento humano, além de moda, games, música alternativa e suas vertentes dos anos 80 e 90, Synthpop/Eletropop, e o atual Indie rock. Instagram: lordsalles; [email protected]

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